Sobre esse momento na Terra…

Sobre esse momento na Terra…

11 de maio de 2020 0 Por fflavioab

Clarissa Pinkola Estés, autora do livro Mulheres que
correm com os Lobos, com a tradução da psicóloga
Monika von Koss:

“Meus estimados: Não desanimem. Nós fomos feitos
para estes tempos. Eu, recentemente, tenho ouvido
de tantos que estão profundamente desnorteados e
com razão. Eles estão desnorteados a respeito dos
acontecimentos atuais em nosso mundo… Nosso
tempo é de assombramento quase diário e de raiva
muitas vezes justificada a respeito das recentes
degradações daquilo que é o mais importante para
pessoas civilizadas, visionárias. (…) Contudo, eu
recomendo, peço, solicito encarecidamente a vocês,
para não secarem seu espírito lamentando estes
tempos difíceis. Principalmente, não percam a
esperança. Particularmente, porque fomos feitos
para estes tempos. Sim. Por anos temos aprendido,
praticado, sendo treinados e esperado para nos
encontrar neste plano de engajamento…
Eu cresci na região dos Grandes Lagos e reconheço
uma embarcação em boas condições de
navegabilidade, quando a vejo. No que diz respeito a
almas despertas, nunca houve tantas boas
embarcações nas águas do que agora, em todo
mundo. E elas estão plenamente equipadas e
capazes de se sinalizarem mutuamente, como nunca
na história da humanidade… Olhem por sobre a
proa; há milhões de embarcações de almas íntegras
nas águas com vocês. Mesmo que seus vernizes se
arrepiem a cada onda nesta turbulência, eu lhes
asseguro que as vigas que compõem suas proas e
remos vêm de uma floresta maior. Esta madeira de
veios profundos é conhecida por resistir às
tormentas, permanecer junta, sustentar-se e
avançar, indiferente. Temos estado em treinamento
para um tempo obscuro como este, desde o dia em
que concordamos vir para a Terra. Por muitas
décadas, em todo mundo, almas como nós tem sido
ceifadas e deixadas para morrer de tantas formas,
repetidamente derrubadas pela ingenuidade, pela
falta de amor, sendo encurraladas e assaltadas por
vários choques culturais e pessoais, ao extremo.
Temos uma história de termos sido devastados, mas,
lembrem-se especialmente disto – nós também
temos, por necessidade, aperfeiçoado a habilidade
da ressurreição. Recorrentemente temos sido a
prova viva de que aquilo que foi exilado, perdido ou
soçobrado pode ser novamente restaurado à vida.
Em todo tempo obscuro, há uma tendência para o
abatimento diante de quanto está errado ou
quebrado no mundo. Não foquem nisto. Há também
uma tendência para ficarmos enfraquecidos por
perseverar naquilo que está fora do nosso alcance,
naquilo que ainda não pode ser. Não foquem aí. Isto
significa gastar o vento sem levantar as velas. Somos
necessários, isto é tudo que podemos saber. E apesar
de encontrarmos resistência, ainda assim vamos
encontrar grandes almas que nos impulsionarão,
amarão e guiarão, e nós as reconheceremos quando
elas aparecerem. Vocês não disseram que tinham fé?
Vocês não se comprometeram a ouvir uma voz
maior? Vocês não pediram por graça? Vocês não se
lembram de que estar na graça significa submeter-se
à voz maior? (…) Não é nossa tarefa consertar o
mundo todo de uma só vez, mas nos estendermos
para consertar a parte do mundo que está ao nosso
alcance. Qualquer pequena coisa calma que uma
alma pode fazer para ajudar outra alma, para ajudar
alguma porção deste pobre mundo sofredor, ajudará
imensamente. Não nos é dado saber quais atos, ou
de quem, farão com que a massa crítica emerja como
um bem duradouro. O que é necessário para esta
mudança dramática é o acúmulo de fatos, somando,
somando, somando mais, continuando.
(…) A luz da alma lança faíscas, pode levantar
labaredas, construir sinais de fogo, causar matéria
apropriada para queimar. Mostrar a lanterna da
alma em tempos sombrios como estes – ser feroz e
mostrar misericórdia a outros, ambos, são atos de
imensa bravura e maior necessidade. Almas em
conflito pegam luz de outras almas que estão
plenamente acesas e dispostas a mostrá-lo. Se vocês
quiserem ajudar a acalmar o tumulto, esta é uma das
coisas mais poderosas que vocês podem fazer.
Sempre haverá momentos em que vocês se sentirão
desencorajados. Eu também tenho sentido
desespero muitas vezes em minha vida, mas eu não
guardo uma cadeira para isto; eu não entretenho
isto. Eu não permito que isto coma do meu prato. A
razão é esta: até o âmago dos meus ossos eu sei algo,
como vocês sabem. Que não poderá haver
desespero, se vocês lembrarem porque vieram para
a Terra, a quem vocês servem e quem enviou vocês
aqui. As boas palavras que dizemos e os bons atos
que fazemos não são nossos: eles são as palavras e
atos do Um que nos trouxe aqui. Neste espírito, eu
espero que vocês escrevam isto em seu mural:
Quando um grande navio está no porto e ancorado,
ele está seguro, não há dúvida. Mas não é para isto
que grandes navios são construídos.
Isto vem com muito amor e oração para que vocês
se lembrem de quem vieram e porque vocês vieram
para esta bela e necessitada Terra.”