Fundamentações teórico metodológico e filosófico da prática de homeopatia popular comunitária na ABHP. Do ponto de vista da educação popular freiriana – Professor Carlos Alberto Tolovi – Crato – CE – Universidade Regional do Cariri – URCA

CONGRESSO

Fundamentações Teórico Metodológico e Filosófico da Prática de Homeopatia Popular Comunitária na ABHP. Do Ponto de Vista da educação Popular Freiriana – Professor Carlos Alberto Tolovi – Crato – CE – Universidade Regional do Cariri – URCA

Fazer uma provocação a partir da visão freiriana em que nem todo educador popular é um homeopata, mas todo homeopata é um educador popular.
Qual dimensão política de Paulo Freire? A perseguição de Freire se justifica pela teoria freiriana de educação com inserção na comunidade para discussões populares. Nós vivemos uma luta política perigosa.
Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho. Educação se faz por meio de uma relação. Palavra essencial na educação que é RELAÇÃO. A relação deve ser dialógica na dimensão da alteridade. Linguagem, entendimento, comunicação, interação e PERCEBER o outro como sujeito, estabelecendo uma relação de alteridade (direito, dignidade).
Quem é o outro que estarei fazendo a repertorização? Qual ponto de partida?
Diálogo deve ser dialético, pode haver conflito no diálogo, pode haver discordância.
Dialética deve ser LIBERTADORA. O que nos aprisiona, nos incomoda, te escraviza?
Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho. Os seres humanos se libertam em comunhão.
Quem pensa no todo na educação? O matemático cuida da matemática, o historiador de história, mas quem cuida do todo? Os jovens passam a ser perigosos quando passam a entender o mundo. Se nosso trabalho não incomodar, tem algo errado.
Nossa educação consiste numa relação de afetividade. A relação de afetividade se cria pelo que as pessoas são, pela forma como olha em nossos olhos. Como a homeopatia popular afeta a comunidade. Como estamos afetando a vida dos outros? Quando morremos o que fica é a forma como afetamos a vida das pessoas com quem vivemos. Os bens apodrecem, mas a afetação é eternizada. Se não tiver afetividade no trabalho homeopático, não tem carisma e não serve.
Tarefa da educação em homeopatia popular. Desvelamento da realidade de quem está acorrentado. Desvelar a realidade projetada no fundo da caverna, tirar o véu da realidade realmente real. Emancipação do sujeito histórico. Emponderar nosso sujeito. Humanização que resulta em transformação da realidade. A diferença da pastoral social frente ao neopentecostalismo se enche grandes estágios procurando cada um o seu milagre, aqui procuramos o milagre coletivo. O milagre se dá numa relação afetiva, e isso nos torna perigosos. Os pós colonialistas morrem de medo da democratização da sociedade. As instituições que nos representam tomam decisões democráticas que derrubam a própria democracia. Empoderamento do sujeito para a organização coletiva comunitária.
Qual o papel do educador? O bom conhecedor não é necessariamente um bom educador. Tem gente que se acha o rei por ser grande conhecedor, mas no campo da relação afetiva e coletiva não consegue produzir nada. Capacidade técnica sem relação dialógica e dialética não produz uma boa educação. Não adianta ter mil livros escritos, mas não consegue conversar com seus alunos. O carisma nos trás capacidade de dialogar. A educação deve produzir consciência crítica e valores humanos. Estamos ajudando na construção da consciência crítica ou apenas distribuindo a homeopatia?
O diálogo pressupõem atitude de abertura de escuta e de acolhimento. Capacidade de escuta, capacidade de aprender com o outro. Humildade de escutar, compreender, e reconhecer que não sabe tudo e que tem muito a aprender.
Diálogo é uma forma de relação: consigo mesmo, com o outro, com a natureza, com Deus e em busca da harmonia construída na luta, produzida pela homeopatia de luta. A alopatia elimina essa luta, enquanto a homeopatia fortifica. A guerra dos contrários é que gera harmonia. Esse instante não se repete mais em nossa vida. Harmonia não se ganha e se faz gratuitamente, é preciso entrar no conflito em vista da vida.
Em verdade, finalmente não há realidade opressora que não seja necessariamente antidialógica, de não sobrepor uma cultura sobre a outra. Os grandes impérios para se manter, elimina o diálogo, se impõem eliminando nossa liberdade. Até onde o povo vai suportar a perda de direitos.
A educação bancária mistifica e mitifica a realidade. A problematizadora se empenha na desmitificação. O mito nasce do caos, que pode ser social e produzido intencionalmente. O povo é capaz de eleger seu próprio algoz através de uma narrativa gerada no caos. Para libertar é necessário desmistologizar. Quem não tem poder de reação, paga o preço de ser escolhido como a própria vítima. A religião pode fazer do povo o cordeiro manso para o matadouro.

Na relação antidialógica a educação se transforma em prática de dominação, e no campo da saúde não é diferente quando se pensa na alopatização, que se pensa na doença, no dinheiro. Mitologização do doutor vestido de branco que é inquestionável.
Somente na medida em que os oprimidos se descubrem hospedeiros do opressor, poderão contribuir para o partejamento de sua pedagogia libertadora. Se o dominado perceber o mecanismo de dominação, ele reage. Vamos na contra mão do processo para desmitologizar. Fazer o outro perceber que ele está dominado.
Crer no povo é a condição prévia, indispensável à mudança revolucionária. Só tem uma chance da educação ser revolucionária: acontecer fora dos domínios do capital. Nós estamos fora desse padrão e esse é elemento revolucionário que nos caracteriza.
Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo. Tratar o humano é revolucionário. Se não harmonizar a sociedade, caminharemos para um tragédia universal.
Se queremos ajudar na transformação do mundo, precisamos ajudar na transformação das pessoas. Olhar o ser humano como sujeito que precisa se emancipar.
Nenhuma ordem opressora suportaria que os oprimidos todos passassem a dizer: porque? Porque estou doente? Porque estou nessa realidade? Porque estou vivendo esse drama? Porque a realidade é tão desigual, desemprego? Quando Sócrates sai da caverna e começa a questionar, a solução foi matá-lo. Jesus foi assassinado porque incomodou a sociedade de seu tempo. Existem muitas formas de assassinato hoje. Sabemos que o percurso é esse. Prefiro morrer do que negar o que acredito (Platão).
Se não amo o mundo, se não amo a vida, se não amo os homens. Não me é possível dialogar. Não há por outro lado, diálogo se não há humildade. Estamos longe de sabermos tudo no uso da homeopatia na agricultura. Não sabemos tudo, não temos cura para tudo, não temos solução para tudo.
Sendo fundamento do diálogo, o amor é, também, diálogo. Capacidade de abertura para escutar e acolher, ser afetivo. Ter a capacidade de amar, é ter a capacidade de nos livrar daquilo que nos aprisiona internamente.
A ação política junto aos oprimidos tem de ser, no fundo, ação cultural para a liberdade, por isto mesmo, ação com eles. Estamos inseridos no campo da política, numa relação de poder, por tanto uma ação política.
Até o momento em que os oprimidos não tomam consciência das razões de seu estado de opressão, aceitam fatalisticamente a sua exploração. Uma condição básica ao êxito da invasão cultural é o convencimento por parte dos invadidos de sua inferioridade intrínseca.
Não há vida sem morte, como não há morte sem vida, mas há também uma morte em vida. E a morte em vida é exatamente a vida proibida de ser vivida.
Nenhum sistema opressor produz uma educação libertadora. Se vivermos um sistema profundamente opressor, todo mecanismo institucional é opressora.
Precisamos reconhecer a dimensão política e ideológica de nossa ação. Qual a dimensão política de nosso trabalho. O educador que não percebe que sua educação tem impacto político, não é um educador.
Movo-me na esperança enquanto luto e, se luto com esperança, espero. Esperança é o que nos movimento, nos motiva, nos coloca na luta. Não podemos perder esperança na transformação do ambiente que vivemos.

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